Novas plataformas, velhos problemas

Postado em 12/03/2014

As más práticas de usabilidade estão sendo migradas para as plataformas móveis, e os problemas estão se multiplicando.

“As espécies que sobrevivem não são as mais fortes, nem as mais inteligentes, e sim aquelas que se adaptam melhor às mudanças”. Essa frase, proferida no século XIX, foi atribuída a Charles Darwin. O biólogo inglês, formulador da teoria da evolução, transformou o modo como a sociedade entendia a origem do homem. Na época, Darwin foi muito contestado. A ciência e o tempo, no entanto, comprovaram que ele tinha razão.

Passados dois séculos, a frase ainda perdura e pode ser utilizada em muitos contextos. O contexto que quero ilustrar aqui é o da tecnologia. Como já comentei em artigo anterior, estamos vivenciando um momento de transição tecnológica. Os dispositivos móveis agora não são mais novidade, e sim realidade. A mobilidade está mudando drasticamente a forma de interação entre pessoas e máquinas.
Embora esse fenômeno ainda seja mais visível em aplicativos destinados ao consumidor final, a tendência natural é que evoluam para todas as esferas da atividade humana. Ou seja, em breve os sistemas tradicionais utilizados nas empresas também sofrerão o impacto da mobilidade. A questão é: seu sistema está pronto para isso?

Faço aqui dois alertas:

1º) Parar de enxergar apenas o dia a dia. Muitos empresários de TI ainda estão fazendo tudo da mesma forma que sempre fizeram. Por estarem, atualmente, em posição de vantagem em relação à concorrência, sentem-se seguros e inabaláveis. Enquanto isso, é muito provável que novos empreendedores já estejam, nesse momento, trabalhando em outras formas de interação para o mesmo mercado. Em algum momento do futuro elas poderão se encontrar e coexistir, e a tendência é que a nova forma “vença”, deixando os sistemas tradicionais para trás.

2º) Planejar essa nova fase. Muitas empresas, preocupadas em não ficar para trás, têm feito verdadeiras barbaridades em suas interfaces. Como exemplo, um aplicativo para tablet de uma grande rede do setor livreiro nacional, foi lançado às pressas com diversos problemas. O resultado: o produto foi categoricamente rejeitado pelos usuários. Ou seja, a força dessa empresa não foi suficiente para que ela gerasse um produto de qualidade. Agora, o custo para retomar a confiança dos usuários em futuras versões do software será inúmeras vezes maior do que se ela tivesse lançado um produto com maior planejamento. O que observamos é que os problemas de usabilidade existentes nos aplicativos tradicionais estão se agravando nos dispositivos móveis. As más práticas adotadas estão sendo migradas para esses novos hardwares, e os problemas estão se multiplicando.

Com isso, sugiro que as empresas selecionem, agora, alguns profissionais qualificados para se dedicar exclusivamente a planejar o futuro, enquanto os demais tocam o dia a dia.Retomando a frase inicial, as empresas devem pensar em que estágio da evolução tecnológica desejam estar daqui há alguns anos. Talvez algumas já estejam à caminho da extinção, e ainda nem perceberam.

Artigo de Letícia Polydoro

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